A pessoas se esquecem de que há uma ecologia, um ciclo de relações simbióticas que existe na indústria do cinema onde é preciso que alguns filmes façam muito dinheiro para poderem financiar os que não fazem dinheiro. Do bilhão e meio de dólares que Star Wars fez, metade, 70 milhões de dólares, foi para os donos dos cinemas. E o que os donos dos cinemas fizeram com esse dinheiro? Construíram multiplexes. Uma vez que tinham todas essas telas, eles precisavam pôr alguma coisa nelas, o que quer dizer que filmes de arte que passavam em lugares mínimos no meio do nada de repente estavam sendo exibidos em grandes cinemas, e começaram a fazer dinheiro. E uma vez que eles começaram a fazer dinheiro, surgiram Miramax e Fine line, e os estúdios ficaram interessados, e agora existe uma saudável indústria do cinema de arte que não existia vinte anos atrás. Então, de certo modo, eu destruí a indústria de cinema de Hollywood, mas não a destruí por fazer os filmes mais infantis, mas por torná-los mais inteligentes.
Palavras de George Lucas no livro “Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou Hollywood”.
Star Wars foi muito criticado antes mesmo de começar ser produzido, ninguém acreditava no filme, mas George Lucas acreditava e foi em frente com seu projeto. Ele queria fazer filmes alegres para um público infantil e levar esse público a um novo mundo de fantasia, mas chegou a duvidar de si mesmo e do que estava fazendo tantas vezes durante a produção desse filme que só voltou a dirigir cerca de 12 anos depois quando fez os três episódios adicionais de Star Wars.
George Lucas pensava cinema de um jeito diferente da maioria dos diretores da Nova Hollywood, mas na minha opinião isso não faz dele melhor ou pior que esses outros diretores, e nem faz de Star Wars um filme menos pessoal e/ou artístico desse diretor. O que foi feito nas décadas de 60 e 70 mudou Hollywood, e é muito importante na história do cinema. Todos que trabalham com cinema, ou querem trabalhar, deviam ler esse livro porque ele abre as portas de mundo que parece intocável, mas não é, e não me refiro a Hollywood e sim ao Fazer Cinema.
Quem olha de fora vê cineastas famosos como Spielberg e Coppola, e não imaginam o que eles passaram pra chegar ao topo. Eles caíram muitas vezes, errando, acertando e lutaram para fazer seus filmes do jeito que acreditavam quase beirando a loucura em alguns momentos. Usei um trecho do que aconteceu com George Lucas para ilustrar tudo isso, mas há muito mais no livro, histórias impressionantes.
Para concluir, outra citação de George Lucas que com certeza fala por todos os diretores da Nova Hollywood:
“Nós tínhamos em comum o fato de ter crescido nos anos 60 protestando contra a guerra do Vietnã. Nós íamos dominar o mundo. A outra coisa que despertava nossa paixão era o cinema. Nunca pensamos que íamos ganhar dinheiro com isso, ou que era um bom meio de ficar rico e famoso. Era feito um vício. Vivíamos nos virando para conseguir nossa próxima dose, por um pouco de filme na câmera e ir filmar alguma coisa.”
