Cartas (de amor) ao Cinema
Não sou crítica de cinema, nem pretendo ser. As poucas vezes que escrevo sobre algum filme prefiro pensar que é uma carta ao cinema, e não uma critica.
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Tetro: Talvez o melhor filme de Francis Ford Coppola
Eu saí do cinema encantada. Parei na Avenida Paulista, e por um bom tempo fiquei olhando as luzes dos carros, as luzes de natal, as luzes da cidade… Tudo culpa do Coppola!
Esse filme demorou muito tempo para sair do papel, e chegou no momento certo. Vincent Gallo e Alden Ehrenreich dão a mais verdadeira vida aos seus personagens. A fotografia casou com a arte e foi feliz para sempre em Buenos Aires. A trilha sonora dá o toque de perfeição a mais pura emoção em preto e branco. E o que dizer do cineasta que consegue ser ousado com toda sua “simplicidade”? Ah, nada! A gente só agradece mesmo.
Obrigada, Coppola! TETRO é sublime.
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Tropa de Elite 2
Pode até ser menos “porrada”, mas é muito mais ousado. Talvez você vá ao cinema apenas para ter uma segunda dose do primeiro filme, ou para ver o impecável Coronel Nascimento de Wagner Moura. Independente do motivo, você encontra muito mais. Tropa de Elite 2 arranca a “máscara” do nosso querido Brasil, obrigando o espectador-cidadão a enxergar, e então sentir-se incapaz e culpado. Sim, culpado, caro eleitor. O filme faz isso com um belo roteiro e maravilhosa fotografia, além de ótimas atuações. Parabéns ao José Padilha que soube, mais uma vez, usar a sua melhor arma da melhor forma, sem medo e sem rodeios.
Adorei. Para mim, é um dos melhores filmes já feitos.
Agora, Sr. Político Corrupto, pede pra sair!
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Tim Burton in Wonderland
Depois de dois anos de espera e de muitos imprevistos desde a estréia, essa semana eu consegui assistir Alice no País das Maravilhas, finalmente! Gostei muito do visual, das atuações, e da trilha sonora do Danny Elfman, que já é um velho parceiro do Tim. É do Elfman a trilha sonora de Beetlejuice, Edward Mãos de Tesoura e A Noiva Cádaver, dentre muitos outros filmes que eu AMO loucamente. Aliás, como não amar o jeito Tim Burton de fazer cinema? E era esse o motivo do meu desespero para ver Alice. Não pela história, que nem é das minhas preferidas. E sim, o seu diretor.
Cresci vendo os filmes do Tim Burton… o primeiro filme que eu precisava saber “de quem era” foi Edward Mãos de Tesoura. “Quem é o doido que criou um cara cheio de tesouras nas mãos?” Aí, era Tim Burton pra lá, e pra cá. Nem minha mãe me aguentava! rs. Com os filmes do Tim, eu vi o cinema que existia além das animações da Disney, e principalmente, quis saber como tudo funcionava por trás das câmeras. Depois, foi só uma questão de tempo até o Roteiro e o Quentin Tarantino, Scorsese, Kubrick, Chaplin, entre outros, aparecerem na minha vida. Humm… fico imaginando como seria um roteiro do Tarantino dirigido pelo Tim Burton… ai ai, eu viajo.
Bom, espero que o Tim continue criando e recriando universos mágicos na tela grande. Ele é o melhor nisso.
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Ilha do Medo
Ilha do Medo (Shutter Island) de Martin Scorsese é o tipo de filme que se a gente piscar, perde algum detalhe essencial. Tem aquela trilha sonora tensa que sempre sugere que algo assustador, e até enlouquecedor, vai acontecer. E acontece mesmo! Sem falar no roteiro maravilhoso, repleto de diálogos marcantes e silêncios envolventes. E tem Leonardo Di Caprio em uma das melhores atuações de sua vida, se não for a melhor. Ele me impressionou.
Vou confessar que tenho uma relação de amor e ódio com os filmes de Scorsese, pois sempre erro nos palpites e fico inconformada com os finais, mas jamais mudaria uma só cena. Quando se trata de Martin Scorsese TUDO é imprevisível.
Agora, deixando de lado tudo isso, defino esse filme em uma única palavra: PERTURBADOR! Impossível esquecer a “Ilha do Medo” quando já se esteve lá. Vá ao cinema e descubra o seu porque.
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Um Oscar ao Dia da Mulher
Essa semana foi comemorado o dia internacional da mulher, e ouvi um homem dizer a seguinte frase no metrô: “Um dia para as mulheres e os outros 364 dias são dos homens, elas NÃO merecem muito mais do que isso mesmo.” Duas mulheres que estavam ao meu lado se revoltaram, o chamaram de Machista e houve uma breve discussão. Se fosse há uns anos atrás eu seria uma daquelas mulheres revoltadas, mas naquele momento nem me abalei. Afinal, o que aquele homem pensa ou diz não muda nada na minha vida. Vida essa que aprendi a não levar tão a sério sempre.
E mais, eu estava muito feliz. E ainda estou!
Pois pela primeira vez na história uma mulher foi premiada com o Oscar de melhor direção. Kathryn Bigelow é a mulher. E “Guerra ao Terror” é seu filme impressionante.
Luta, determinação, conquista e reconhecimento, foi isso tudo e muito mais o que ela mostrou. Me mostrou!
E já tinha passado da hora dessa indústria cinematográfica dominada por homens abrir espaço para mulheres que são tão talentosas quanto. Acredito que esse Oscar de 2010 marca um novo ínicio para o cinema, em vários aspectos.
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Onde Vivem os Monstros (?)
Quando somos crianças, os monstros povoam nosso imaginário de um jeito que parece bem real. Esses monstros são assustadores ou nossos melhores amigos, ou então as duas coisas juntas.
E quando crescemos, para onde vão esses monstros?
Foi essa a pergunta que fiz ao assistir “Onde Vivem os Monstros” de Spike Jonze, um diretor que conquistou toda a minha admiração, pois tudo no filme é envolvente, desde a trilha sonora até aqueles monstros “humanos”. É totalmente crível o que a história fantástica da cabeça de um menino nos proporciona. E com isso, não demorei a responder minha própria pergunta.
Os monstros que povoavam nossa imaginação continuam presentes em nós, talvez de uma maneira diferente, mas estão conosco. Vivendo em nossos pensamentos e em nossas atitudes, simplesmente.
Mas independente destas questões, - e sei que cada um fará as suas próprias, ou não. - “Onde Vivem os Monstros” é absolutamente comovente. E há um bom tempo um filme não me emocionava tanto.
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Considerações sobre o livro “Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou Hollywood”
Star Wars foi muito criticado antes mesmo de começar ser produzido, ninguém acreditava no filme, mas George Lucas acreditava e foi em frente com seu projeto. Ele queria fazer filmes alegres para um público infantil e levar esse público a um novo mundo de fantasia, mas chegou a duvidar de si mesmo e do que estava fazendo tantas vezes durante a produção desse filme que só voltou a dirigir cerca de 12 anos depois quando fez os três episódios adicionais de Star Wars.
George Lucas pensava cinema de um jeito diferente da maioria dos diretores da Nova Hollywood, mas na minha opinião isso não faz dele melhor ou pior que esses outros diretores, e nem faz de Star Wars um filme menos pessoal e/ou artístico desse diretor. O que foi feito nas décadas de 60 e 70 mudou Hollywood, e é muito importante na história do cinema. Todos que trabalham com cinema, ou querem trabalhar, deviam ler esse livro porque ele abre as portas de mundo que parece intocável, mas não é, e não me refiro a Hollywood e sim ao Fazer Cinema.
Quem olha de fora vê cineastas famosos como Spielberg e Coppola, e não imaginam o que eles passaram pra chegar ao topo. Eles caíram muitas vezes, errando, acertando e lutaram para fazer seus filmes do jeito que acreditavam quase beirando a loucura em alguns momentos. Usei um trecho do que aconteceu com George Lucas para ilustrar tudo isso, mas há muito mais no livro, histórias impressionantes.
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Cinema, ou só minha reflexões, ou nada.
Não gosto de criticar os filmes (e quem sou eu para isso?), se gosto escrevo algo sobre, se não gosto, nem me dou ao trabalho. Gosto mesmo é de ver filmes, seja em casa ou no cinema. É bom assistir com pessoas que gosto, desde que não fiquem falando durante, mas quem me conhece já sabe! Sozinho é melhor ainda, pois nada distraí. Assistir os grandes clássicos de madrugada, ou animações repetidas vezes, ou ir ao cinema e ser sempre a última a sair, depois que passam todos os créditos. Bom, eu gosto muito disso.
A melhor coisa desse mundo é fazer cinema, acho eu. Passar horas num set, com pessoas que também gostam de estar ali no meio da correria e agitação. Claquete, silêncio no set - AÇÃO! - Corta. São muitos takes, estresse e risos. No final, um delicioso cansaço toma conta, e um gostinho de quero mais, e a ansiedade de ver tudo pronto. Sem nunca esquecer que é um longo trabalho em equipe. Ninguém faz cinema sozinho, até o erro de uma única pessoa gera consequências para todos.
A única parte solitária (ou não) é a escrita do roteiro, que pode ser um processo longo. Posso dizer que é parte que eu mais amo. Acordar de madrugada cheia de idéias e rabiscar num caderno qualquer, ou dormir com um gravador do lado (mais prático). Primeiro esboço à mão para criar os personagens. Um estudo ali, outra pesquisa lá. Escrever, e reescrever para melhorar, não necessariamente mudar.
Tudo isso porque cinema é mais do que uma palavra. Mais do que a tela grande na sala escura. É quase um sentimento. Exagero? Talvez. Vai depender do seu ponto de vista.
E se pergutarem, diga que eu estou cinemando por aí.
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Julho.
E então, julho acabou e deixou a lembrança, a experiência, o aprendizado e a saudade. 2010 até aqui foi assim, mas julho foi especial. Posso dizer que eu conquistei meu grande amor: O CINEMA, que sempre esteve em meus sonhos e planos, mas agora é mais real do que nunca. Descobri que é possível, descobri que sou capaz, descobri que existem pessoas tão loucas e apaixonadas por cinema quanto eu e que essas pessoas também querem e vão fazer o cinema acontecer de verdade. E se nós sobrevivemos a um mês insano respirando cinema, é porque acreditamos. Eu acredito! E a Escola de Cinema? Bom, foi o primeiro grande passo. E guardarei cada canto daquele lugar, cada pessoa que convivi e aprendi. Espero encontrar todos fazendo e levando Cinema para o mundo, daqui a pouquíssimo tempo. E boa sorte para quem escolheu aguentar e arriscar tudo comigo. Nós vamos conseguir!
Agora, agosto chegando e com ele decisões a tomar, novos desafios e muitos projetos intensos na guerrilha!
Ver post.
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O cinema é o que me move.
Quando tudo dá errado. Quando o dia está ótimo. Quando as pessoas decepcionam. Quando eu estou com as melhores pessoas. Fazendo nada, fazendo tudo. “Na alegria ou na tristeza e mimimi”.
Em qualquer momento.
Nada me completa tanto como escrever um novo roteiro ou ir ao cinema ver aquele filme que eu estava esperando. Até parece que eu não preciso de mais nada nessa vida… queria não precisar.
(ago/2011)